sábado, 6 de junho de 2015

O Declínio da Indústria



 Sérgio Pire   http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif 

A Indústria brasileira já demitiu nestes cinco primeiros meses do ano, mais de 50.000 empregados, contribuindo assim para um aumento de 22% do desemprego do país, em mesmo período.
Acrescentemos a isso o aumento de 30% da inflação e de 13% na taxa de juros, em mesma comparação, donde se conclui que a coisa está realmente preta para os brasileiros, principalmente, para os brasileiros de renda mais baixa, o que caracteriza o ocaso destes doze anos de governo perdulário e sem rumo, que invariavelmente, não fizeram bem ao Brasil.
Se olharmos para a história, num período um pouco mais amplo, poderíamos dizer que o começo da crise industrial brasileira, certamente, se inicia com a Crise da Dívida Brasileira (externa e interna), nos anos oitentas.
Já os duros anos noventas, de muita instabilidade, depois de tentativas fracassadas de controle da inflação, nos deu o “Plano Real”, que debelou o monstro da inflação apesar de uma sobrevalorização cambial que teve seu curso bastante prolongado.
Num período mais recente, dos últimos doze anos, tivemos uma Política Industrial que não se revelou capaz de ir contra tantos acontecimentos atuais e, simplesmente, jogou fora todo o sacrifico que a população brasileira, as duas penas, realizou nos anos noventas. Por uma incompetência absurda e com uma ideologia ultrapassa, destruiu o que tínhamos de melhor, o tripé do Plano Real, calcados nas Metas de Inflação (para controle da inflação e estruturação das finanças governamentais e privadas), Câmbio Flutuante (para atrelar o ajuste automático da moeda brasileira à conjuntura internacional) e o Superávit Fiscal Primário (para controle dos gastos públicos com geração de superávit para pagamento da dívida externa gerando equilíbrio e credibilidade do país junto aos agentes internacionais de negócios).  
Embora a crise industrial brasileira seja decorrente do passado ela se acentuou nos anos recentes, pois, fomos paulatinamente, perdendo diversas ondas na trajetória da história como marcos e revoluções industriais as quais ficamos de fora e que, no entanto, fizeram a festa em vários países emergentes, no período 2003/2011, por não aproveitarmos o período de abundância global para modernizar o Brasil e, por conseqüência, a nossa indústria. Não captamos a grande onda da indústria eletrônica, da Indústria Farmacêutica, da Indústria Naval e de tantas outras. Tudo foi passando, ao longo da gente, sem que nada tivesse sido percebido e perdemos uma janela de ouro com a bonança do mundo no governo Lula.
Veio então a crise de 2008 que popularmente foi chamada por aqui de “marolinha”, um eufemismo popularesco para suavizar algo sério, e assim, fomos empurrando tudo com a barriga. Fizemos as equivocadas medidas anticíclicas que prestigiou apenas a Indústria Automobilística e um pouco da chamada Linha Branca (eletrodomésticos) sem fazermos algo mais interessante para a indústria como um todo, como, por exemplo, uma Política Industrial pujante baseada na competitividade e no crescimento da nossa indústria, o que simplesmente não aconteceu. Perdemos para o “populismo barato” que nos desviou de curso e nos levou a gastar recursos absurdos na destruição e edificação de estádios para Copa das Copas e sucateamos o país.
O tempo passou e não deixou por menos. Cobrou a conta. E o que está batendo hoje muito fortemente na Indústria Brasileira é o afastamento longevo da economia mundial. Descolamos da modernidade e perdemos as ondas das Revoluções Industriais do presente, que passaram por outros países, mas não por aqui. Ficamos apenas escutando as cantilenas do atraso e fomos ficando para traz.
Mas o que fazer depois de tudo isso?
Primeiramente, precisamos reconhecer que fracassamos que o governo fracassou. Teremos que pagar o preço da incompetência populista, num ambiente triplamente desfavorável, com recessão, crise política e crise moral, acompanhados de um governo fraco e falido, incapaz de se colocar como indutor de algo mais criativo e encorajador.
Saímos de uma eleição muito piores do que entramos, por motivos óbvios. Como sabemos, a utilização da teoria da mentira, do marketing vazio e da propaganda perniciosamente enganosa nos levaram ao nocaute.
Precisamos ter muita calma para recolocar as coisas em seus devidos lugares, mas como pedir calma a uma população insistentemente enganada e agora descrente e desconfiada do seu futuro, que acreditou nas fantasias televisivas do horário eleitoral?
Difícil não! Mas o caminho mais próximo é a recuperação do tripé do Plano Real como as Metas de Inflação (trazer o mostro da inflação, pelo menos, para o centro da meta de 4,5%; recuperar o Câmbio Flutuante (sem gastar bilhões de nossas reservas tentando trazer o preço do câmbio artificialmente para o equilíbrio), e reinstalar o chamado Superávit Fiscal Primário (controle rigoroso dos gastos públicos com geração de superávit para pagamento das dívidas interna e externa, gerando credibilidade ao país) e após essa reconstrução, dar rumo ao país, estimulando a inovação, reestruturando o setor industrial, recolocando as áreas de Educação, Saúde e Saneamento, Segurança Pública e buscar o re-ordenamento Político e a Redução dos Tributos para podermos fugir dessa desastrosa desorganização que campeia o Brasil de hoje