quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A GESTÃO COLABORATIVA


No ambiente empresarial vez por outra surgem termos e expressões que ocupam as manchetes das principais revistas especializadas e livros, e  tornam-se preocupações dos gestores em adotar ou não  as providências ali indicadas. Assim é que  tivemos, entre outras, down size, TQC, CCQ,   reengenharia, orçamento base zero e etc, etc.  Depois de um tempo isso cai em  desuso com o surgimento de uma nova ideia iluminada.
Assim, nos dias atuais,  começamos a ouvir falar em “Gestão Colaborativa”. Algumas grandes empresas, inclusive nacionais,  já manifestam suas providências no sentido de implantar a gestão colaborativa como forma de alavancar sua produtividade e quiçá, seus resultados. O Professor Gary Hamel , da London School, é um especialista em administração da atualidade e defensor desse modelo de gestão. Ele acredita que é a melhor forma da empresa competir em um cenário adverso e fornecer ao empregado à possibilidade de explorar suas potencialidades de modo pleno. Acredita também que é um caminho sem volta, ou seja, a única forma de empresas e profissionais sobreviverem em um ambiente econômico, cuja velocidade de mudança é cada vez maior, com grande concorrência e renovação constante das idéias.
Você deve estar perguntando: O que é gestão colaborativa?  Em resposta, entendo que se trata da busca de  talentos, oportunidades e ideias escondidos na organização.
Outra providência que está vindo a reboque da Gestão Colaborativa, e que já esteve em moda por  certo tempo atrás, é o ambiente panorâmico, sem paredes e salas privativas. A justificativa para  derrubada das paredes é  facilitar o processo de comunicação entre as pessoas e com isso  criar  um clima favorável de colaboração entre todos os empregados da organização.
Mas algumas questões impertinentes me surgem, naturalmente em decorrência dos anos de trabalho nesse meio e experimentação de vários modelos de gestão, por exemplo:
§  Os empregados dos diversos setores e  níveis hierárquicos, dentro de uma empresa, confiam uns nos outros a ponto de manifestar disposição de colaboração entre si?
§  Ou será que eles escondem as informações, acreditando que isso pode significar  poder?
§  Os modelos de avaliação de desempenho vigentes, de modo geral, privilegiam e algumas vezes  premiam o desempenho individual. Como será tratada a ação colaborativa dentro da empresa e avaliado os resultados individuais?
§  Será que os resultados individuais serão relegados a um segundo plano em favor dos resultados coletivos?
§  Os objetivos empresariais serão alinhados para todos ou permanecerão individuais e estabelecidos por gerências ou departamentos?
§  Será que o fato de não haver paredes entre um departamento e outro promoverá uma ação colaborativa  maior entre os funcionários. Por exemplo,  a unidade de produção que solicita aumento de efetivo e o RH, com a meta de  redução do efetivo, desenvolverão colaboração maior?
Imagino que o viés cultural na gestão colaborativa, será o  maior problema para  resolução das questões acima formuladas.
Antes de qualquer ação da empresa no sentido de adotar o modelo de gestão colaborativa, algumas providências deverão ser tomadas como pré-requesito, por exemplo, desenvolvimento de um sistema de metas e premiações, com a visão da  gestão colaborativa; outra questão diz respeito ao alinhamento dos objetivos da empresa entre os departamentos. Deverá haver novas descrições de cargos e definições de atribuições privilegiando a ação colaborativa entre os cargos; deverá ser desenvolvido um novo sistema de treinamento de funcionários onde seja exercitada a pro atividade e o desenvolvimento de habilidades de buscar soluções ao invés de apontar problemas.
Apesar dessas questões todas, penso tratar-se de um modelo de gestão que será imperativo para o êxito das empresas desse novo século.

Nielsen Freire da Silva
23/outubro/2012